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sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Ao Iconoclasta.

Drástico destino o dos homens de pouca fé e muita razão:
com eles morre o dogma e nasce o paradigma;
é deles o (des)prazer de alastrar a heresia e a blasfêmia;
são eles que se sentam sozinhos à noite.

Obscura vida a dos homens de pouca fé e muita razão:
é deles o dever de fazer correr as novidades de ontem -
lidas e relidas sob novas lentes -
são seus olhos que enevoam,
são suas cabeças que doem.

Triste fim o dos homens de pouca fé e muita razão:
suas almas são as solitárias,
são seus corações meras bombas de sangue,
são suas lágrimas que inundam e fertilizam a terra;
a mediocridade lhes foge como uma donzela.

sábado, 29 de março de 2008

Ruy Guerra - Soneto? - Fado Tropical.

"Meu coração tem um sereno jeito
E as minhas mãos um golpe duro e presto
De tal maneira que, depois de feito
Desencontrado, eu mesmo me contesto

Se trago as mãos distantes do meu peito
É que há distância entre intenção e gesto
E se o meu coração nas mãos estreito
Me assombra a súbita impressão de incesto

Quando me encontro no calor da luta
Ostento a aguda empunhadura à proa
Mas o meu peito se desabotoa

E se a sentença se anuncia bruta
Mais que depressa a mão cega a executa
Pois que senão o coração perdoa..."


p.s.: Esse post é uma homenagem a uma pessoinha muito querida que, vira e mexe, me apronta uma dessas. Valeu, gatinha ;)